Uma das perguntas que eu mais recebo nos directs do instagram é: “Carol, eu não sei nem por onde começar a planejar uma retalho quando eu retiro uma lesão na pele”.

Então hoje eu trouxe um passo a passo para você começar a se habituar nesse universo e começar a planejar os retalhos cutâneos.

Bora começar?

1 – Conhecer a topografia dos vasos da face.

Não se planeja fechamentos e suturas na pele sem conhecer a anatomia de profundidade e superfície, especialmente da face. Saber se a zona que você está fazendo a incisão na pele é uma zona de perigo de passagem de uma artéria ou nervo é fundamental para prepará-lo para eventuais problemas durante as cirurgias dermatológicas.

Conhecer o trajeto artéria facial (ma das principais da face e que está na primeira foto) já é um EXCELENTE começo. Ela é ramo da carótida externa e seu trajeto se faz na superfície externa da mandíbula, sob o platisma até o canto interno do olho. A artéria facial emite ramos para o lábio e a face lateral da narina, na famigerada artéria angular, que é a parte da facial que segue ao longo do nariz até o ângulo interno do olho para suprir as pálpebras.

2 – Saber as linhas que separam as subunidades estéticas do rosto.

Se você foi aluno do #destrave já está careca de saber: a gente jamais planeja uma incisão na pele ou um retalho cutâneo sem avaliar a divisão anatômica da sub-unidade estética aonde está a lesão que você vai retirar.

O nariz por exemplo, tão pequeno e tão tridimensional têm, nada mais nada menos, que 10 sub-unidades anatômicas: glabela, dorso, paredes laterais (2), ponta, asas (2), triângulos moles (2) e columela.

Saber as linhas que dividem essas sub-unidades é fundamental para esconder as incisões e tornas as cicatrizes menos visíveis.

3 – Quando necessário, descole.

A pele é um órgão viscoelástico que tem propriedades de distensão únicos. Quando você fizer a retirada de uma lesão e a pele estiver muito tensa e não estiver querendo fechar como você planejou, o descolamento no plano correto pode fazer milagres.

Mas é muito importante saber AONDE descolar.

Nos meus últimos anos ensinando cirurgia dermatológica, eu vejo muitos alunos tentando descolar a pele no plano dérmico, muito superficial, aonde quase não tem espaço para o descolamento e ele também fica mais difícil.

Então, não se esqueça: quando você precisar descolar a pele na profundidade porque ela não está aproximando, faça isso no subcutâneo.

4 – Quanto menos tensão na pele, melhor

A pele não nasceu para ser “estressada”. Quanto menor o nível de tensão da sutura realizada na pele, melhor será o resultado estético. Por isso, use e abuse de pontos internos, suturas de ancoragem e esqueça de uma vez por todas aquela pergunta que a gente sempre escuta: “dra, eu levei quantos pontos?”. Por que para uma boa cicatriz, o mais importante não são os pontos que estão na superfície da pele. E sim tudo que foi realizado na parte interna para “segurá-la”.

Isso sim, garante um bom resultado da cicatriz.

Curtiu essas dicas? Compartilha com alguém que também quer se aperfeiçoar em cirurgia dermatológica e me fala lá no instagram! Vou adorar saber.

Dra. Caroline Brandão

CRM/91259 RJ RQE/24487

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